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Dinho Ouro Preto
Dinho Ouro Preto
Fernando de Ouro Preto
Curitiba (PR), em 27/04/64
Última entrevista
Rodrigo Brinko
Atualmente  é residente das festas SENSE em Ibiza e SENSE TOUR , por toda Europa e Brasil.

O vocalista do Capital nasceu em Curitiba (PR), em 27/04/64. Dinho foi criado em Washington (EUA), Viena (Áustria) e Genebra (Suíça). Filho de diplomata, tataraneto do Visconde de Ouro Preto, veio morar no Brasil aos 16 anos, na época da ditadura, quando a tribo punk começava a invadir as ruas de Brasília.
Ao se formar, Dinho decidiu prestar vestibular para Sociologia porque seus colegas do segundo grau cobravam dele uma postura definida em relação à política. Certamente, todos achavam que os roqueiros eram alienados.
No entanto, Dinho foi reprovado e desistiu da faculdade.

Namorou Helena, irmã de Flávio e Fê, e frequentou muito a casa deles, onde eram realizados os ensaios do Aborto Elétrico. Dinho era tão fanático que, não só ía aos shows, como também gravava todos os ensaios da banda em fitas cassete.
Quando começou a tocar no Capital, aos 19 anos, em maio de 1983, seus pais estavam no exterior e achavam que ele só estudava.
Só souberam que ele tinha se tornado músico quando já estava fazendo sucesso com a banda.
Após dez anos no Capital Inicial, Dinho deixou a banda e gravou dois CDs: um com o "Vertigo" (1994) e o solo "Dinho Ouro Preto" (1995); os dois, pela Rock It! de Dado Villa-Lobos).

Segunda-feira de manhã. Os músicos começam a chegar ao estúdio para a sessão de fotos que ilustram as 14 páginas de matéria e a capa desta edição. O primeiro é o novo guitarrista, Yves Passarell, recém-contratado ao Viper, pontualmente às 10h30. Minutos depois, o baixista Flávio Lemos. Na sequência, o baterista Fê Lemos,acompanhado do vocalista da banda.
- Dinho. Como é que vai?, apresenta-se.
Se existe uma pessoa que não precisa se apresentar no Brasil de 2002 é o vocalista do Capital inicial, rosto da maior banda do país atualmente. Nos últimos dois anos, desde o lançamento do Acústico, a banda superou a marca de 300 shows. No mesmo período,apenas uma banda de rock vendeu tanto quanto eles, a extinta Legião Urbana, com seu desplugado, que em junho de 2000 alcançou a marca milionária.
Mas o gesto de estender a mão de Dinho é emblemático, pois o quadro acima é um recorte breve de uma banda prestes a completar duas décadas de carreira.

Aperte o botão de stop deste filme e retorne seis, sete anos, até o nada distante 1995. O retrato do Capital Inicial é semelhante ao de uma Cabul pós-11 de setembro. Os irmãos Fê e Flávio, ao lado do guitarrista Loro Jones, se revezam pra soprar as brasas do incêndio após a saída de Dinho e manter a chama da banda com um novo vocalista, Murilo Lima. O fôlego resiste dois anos, e logo
depois Loro encosta a guitarra num canto e escancara a falência do grupo pra evitar vexame
maior.
Dinho, que abandonara o barco em 1993, segura a corda do outro lado,compondo o cabo-de-guerra do legado do grupo. E vive a fase "verde" (em referência à insalubre cor que apresentava),
anônimo,quando sistematicamente troca o dia por noitadas, engole pílulas de ecstasy como se fossem drops pra aguentar o tranco, faz bicos como tradutor e vira cover de sí próprio em apresentações com bandas amadoras dos velhos hits do Capital.

Hoje, ao iniciar um novo capítulo com o 10º album da carreira, o bom Rosas e Vinho Tinto (leia análise ao final do texto), os remanescentes da formação original sabem que ser a única banda de
Rock entre os artistas que mais vendem no Brasil, como Roberto Carlos, KLB, Sandy & Júnior e Bruno & Marrone, não quer dizer muito. Eles estiveram nos dois extremos e a batida histórica
da fênix, renascida das cinzas, encaixa-se perfeitamente na trajetória da banda.
Assim, quando Dinho se apresenta, está sendo leal ao que prega.
Lembra, por exemplo, os passos de um ex-alcóolatra. No caso, o que evita é o primeiro gole dos confetes.
"Só nos faz bem hoje ter passado por isso. Muda sua atitude em relação à música. É bom você ter modéstia, pois amanhã pode não estar aqui. A gente vê nossa carreira com outros olhos, com mais
cuidado.

E principalmente a atitude de leviandade com o próprio material, de aprender a ter muito cuidado com o que se faz. Não se pode tratar o trabalho como uma coisa à toa, pois se você pisar na bola vai ser esquecido. Isso acaba criando um círculo virtuoso.

Faz com que você respeite mais a sua música, o que faz com que ela seja melhor, seja mais respeitada pela platéia, venda mais e isso vai aumentando a qualidade do que você faz. Se o que está nos acontecendo agora tivesse acontecido há dez anos, estaríamos totalmente embevecidos. Tipo: "Foda-se tudo", avalia o vocalista.
O sumário de Dinho foi proferido no segundo encontro da banda com a ZERO.

No total, foram três, num total de quase sete horas divididas entre mais de uma centena de cliques e quatro fitas-cassete de conversa.
Dinho, Fê, Flávio e Yves não evitaram nenhum assunto, nem mesmo os mais delicados, como abuso de drogas, bebedeiras e brigas, e passaram a limpo os últimos 25 anos, 20 destes tocando.
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